quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A velha crueldade de Eduardo Leite

Foto: Joaquim Moura


Paulinho dos Santos[i]

Não existe nada mais velho, do que aquele que se reivindica novo para defender as ideias mais antiquadas e cruéis que existem.

O governador Eduardo Leite (PSDB) aprovou, com ampla maioria, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul o Projeto de Lei Complementar nº. 503/2019 – PLC 503. Esse projeto não é um simples projeto, mas sim, uma reforma da previdência ainda mais drástica do que a aprovada no Congresso Nacional.

Leite usou da sua base parlamentar no Legislativo gaúcho para atacar diretamente a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores do Estado, sem nenhum diálogo com aquelas e aqueles que fazem o serviço público acontecer.

Nisso, não há nada de novo. Antônio Britto acabou com carreiras, privatizou setores estratégicos para o Estado e desestimulou a economia gaúcha; Yeda Crusius, com sua famigerada política de “déficit zero” arrochou a vida dos trabalhadores; Sartori passou quatro anos parcelando salários, sem sequer fazer a reposição inflacionária anual no salário dos que trabalham, e muito, para o desenvolvimento do Estado. Eduardo Leite prometeu “tirar a bunda da cadeira” e fazer gestão, pois segundo ele “dinheiro há, o que falta é gestão”.

domingo, 3 de novembro de 2019

Ou combatemos o autoritarismo, ou perdemos a democracia

Paulinho dos Santos[1]


O ano de 2019 tem sido de muita luta e muita resistência no sentido de frear os ataques aos direitos, mas, sobretudo, à democracia brasileira. Além disso, tem sido um ano importante para a esquerda reafirmar seu projeto de nação livre, soberana e democrática, e dialogar com o povo brasileiro.

Depois de sucessivos ataques em que se imaginava o “fim da esquerda e do PT”, o Partido dos Trabalhadores segue sendo o partido com maior preferência entre os brasileiros – com 15,8% de preferência do eleitorado, o PT segue sendo o único partido político que ultrapassa a casa dos 10 pontos percentuais, muito embora, tenha tido uma queda importante em relação aos números de 2018, quando o partido alcançava 24%[i].

O mito da democracia racial no Brasil e o sistema prisional brasileiro

Paulo de Oliveira dos Santos[1]

Nos últimos dias, os jornais de circulação nacional evidenciaram um caos que o sistema priosional brasileiro tem vivido. Presídios superlotados, comandados por facções criminosas que controlam o crime organizado de dentro das próprias instituições penais, são o resultado de um processo violento que temos vivido no Brasil.

As sociedades ocidentais sempre trataram as cadeias como espaços punitivos àqueles que, porventura, viessem descumprir as regras sociais. Ou seja, o instituto da reclusão é utilizado para o afastamento do convívio social daqueles indesejáveis, do que sua reabilitação enquanto indíviduo em uma sociedade capaz de lhe garantir condições mínimas de acesso à vida digna.

Conselho Tutelar – eleição

Paulo dos Santos[1]
Em poucos dias, em todo o Brasil, as pessoas novamente vão às urnas, dessa vez para definir o colegiado do Conselho Tutelar que atuará pelos próximos 4 anos. O CT é um órgão eleito pela comunidade local, com a função garantir a efetivação dos direitos de crianças e adolescentes em nossa sociedade. E é importantíssima a participação das pessoas, mesmo sendo uma eleição facultativa, pois, como determina o artigo 227 da Constituição Federal de 1988, “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, etc.”.

Trabalho Infantil


Ao longo do tempo, a sociedade ocidental foi se modernizando e avançando em relação a conceitos importantes. Por meio de luta organizada por determinadas entidades e movimentos sociais, direitos civis, políticos e sociais foram sendo conquistados. Dentre esses, a criminalização do trabalho infantil foi um ponto importante diante do processo civilizatório.
No livro “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, Friedrich Engels faz um relato das condições sociais e econômicas dos trabalhadores europeus. Em determinado ponto, descreve que “as casas de trabalho são prisões: quem não realiza sua cota de trabalho, não recebe alimentação” e que nesses locais se realiza um trabalho inútil: “as mulheres, as crianças e os velhos desfiam cordames de navio”.

terça-feira, 9 de julho de 2019

E a reforma da Previdência? Qual é? | Paulo dos Santos

Há poucos dias, estive conversando com Miguel Rossetto, ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social, sobre a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu “super” ministro da economia, Paulo Guedes. Miguel Rossetto, de forma taxativa, me dizia: “essa reforma vai produzir enormes injustiças sociais porque vai criar uma classe de indigentes”.
O mesmo escutei do ex-governador, e também ex-ministro da Previdência, Jair Soares, em entrevista ao professor Juremir Machado da Silva e à jornalista Taline Oppitz, no programa diário Esfera Pública, da Rádio Guaíba – observem que ambos os citados são de partidos muito diferentes e com históricos políticos completamente diferentes. Em suma, Jair Soares afirmava que a proposta apresentada pelo governo acabava com a previdência pública e colocava os mais pobres diante de um futuro nebuloso, crítico.
Essas, são duas afirmações que preocupam quaisquer pessoas que sabem da histórica desigualdade socioeconômica do Brasil.

segunda-feira, 4 de março de 2019

A era do ódio e das fake news



Por volta de dois meses atrás, no facebook, fui bloqueado pela minha professora da segunda série. O motivo foi a minha resposta a um texto compartilhado por ela que dizia: “agora (com a posse de Bolsonaro à presidência da República) as pessoas não precisarão se preocupar, pois não somos contra os gays, somente não permitiremos mais que transem em nossa sala de aula...”. Exatamente essa frase me preocupou e eu acabei perguntando se pessoas transavam em sua sala de aula. Não fui respondido, mas fui bloqueado.

Há poucas horas, vi um post de um amigo, também no facebook, que trazia aquelas velhas frases maldosas a respeito da descriminalização do aborto, colocadas como de autoria da ex-deputada Manuela D’Ávila. Respondi, com link de notícia que confirmava a minha versão, de que aquilo era uma antiga fake news. A resposta de uma outra amiga foi de que isso não importava, o que importava era o que ela chamou de “moral da história”. O que isso quer dizer, eu não sei.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A Dança

Escrevi hoje, e queria compartilhar com os leitores aqui!

A Dança


"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Essa linda concepção da vida foi escrita pelo grande autor Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, um clássico da literatura brasileira.

Talvez a boniteza, como diria Paulo Freire, da vida esteja exatamente nisso, na sua força incontrolável. Lembro que sempre ansiei por obter certo controle da vida. Nunca fui de fazer planejamentos, mas sempre quis manter certa estabilidade nas minhas relações. Sinto dizer: quebrei a cara em todas as vezes em que me meti a controlar o incontrolável.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O próximo passo do golpe. Ou, cuidado com a Globo!



O golpe de Estado acontecido no Brasil no ano de 2016 ainda é de complexa compreensão, sobretudo na busca de analisar o seu processo inicial.

Eu, de pronto, afirmo, não estou entre aqueles que acredita que o processo embrionário do golpe se deu nas chamadas “jornadas de julho de 2013”. No entanto, acredito que o desenrolar daquelas manifestações levou o Brasil para o caminho do qual nos encontramos hoje. Ou seja, penso, exatamente, que as manifestações daquele período iniciaram com uma pauta legítima e municipalizada: o preço da tarifa do transporte público. Em seguida, se tornou uma pauta da esfera estadual: a força repressiva do aparato estatal. Por fim, alcançou o governo federal: avanço e humanização das políticas públicas. A presidenta Dilma, ao identificar isso, lançou quatro medidas que vinham ao encontro do desejo dos manifestantes, entre elas estavam o lançamento do Programa Mais Médicos e a abertura de uma Constituinte exclusiva para a Reforma Política. No entanto, o PT não soube se posicionar. Inicialmente, o então presidente do partido, Rui Falcão, lançou Nota Pública convocando o partido às ruas para fazer a disputa do movimento. Em seguida, o partido se retirou desse processo buscando alguma forma de defesa das políticas até então já implementadas pelos seus governos na esfera federal.

domingo, 13 de janeiro de 2019

O PT e a Geni


O grande artista Chico Buarque de Hollanda, que dispensa comentários e apresentações, compôs a célebre canção “Geni e o Zepelim”, que fez parte do musical Ópera do Malandro lançado no ano de 1978. Nessa canção, Chico retrata a história de uma mulher que constantemente é atacada pelos moradores da cidade em que vive, até o dia em que, para não sucumbirem ao ódio do comandante do Zepelim, fazem dessa mesma Geni uma mulher adorável e necessária. No entanto, o refrão, “joga pedra na Geni”, mesmo depois do obsequioso trabalho feito pela outrora reverenciada mulher, retrata toda a convulsão de uma sociedade moralista e hipócrita que agride àqueles pelos quais não podem mais se valer de algum favor intencional.

É bem verdade que, na música, Geni nunca fora bem aceita pelas pessoas da sua região. Crianças, idosos, as tais pessoas de bem, viviam repetindo injúrias e ataques a ela e a sua honra. Entretando, Geni foi necessária em um determinado momento e, por ser necessária, recebeu, de todas as pessoas, ótimas promessas e o que lhe parecia ser ainda melhor, o respeito e a dignidade.