terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O próximo passo do golpe. Ou, cuidado com a Globo!



O golpe de Estado acontecido no Brasil no ano de 2016 ainda é de complexa compreensão, sobretudo na busca de analisar o seu processo inicial.

Eu, de pronto, afirmo, não estou entre aqueles que acredita que o processo embrionário do golpe se deu nas chamadas “jornadas de julho de 2013”. No entanto, acredito que o desenrolar daquelas manifestações levou o Brasil para o caminho do qual nos encontramos hoje. Ou seja, penso, exatamente, que as manifestações daquele período iniciaram com uma pauta legítima e municipalizada: o preço da tarifa do transporte público. Em seguida, se tornou uma pauta da esfera estadual: a força repressiva do aparato estatal. Por fim, alcançou o governo federal: avanço e humanização das políticas públicas. A presidenta Dilma, ao identificar isso, lançou quatro medidas que vinham ao encontro do desejo dos manifestantes, entre elas estavam o lançamento do Programa Mais Médicos e a abertura de uma Constituinte exclusiva para a Reforma Política. No entanto, o PT não soube se posicionar. Inicialmente, o então presidente do partido, Rui Falcão, lançou Nota Pública convocando o partido às ruas para fazer a disputa do movimento. Em seguida, o partido se retirou desse processo buscando alguma forma de defesa das políticas até então já implementadas pelos seus governos na esfera federal.


O que quero dizer com isso é que o PT não soube como se posicionar naquele período e acabou, de certa forma, permitindo que movimentos da direita política, com auxílio da Rede Globo, tomassem para si as reivindicações (assim se deu o surgimento de grupelhos como MBL, por exemplo).

Percebam o movimento que a Rede Globo faz aqui: inicialmente, os comentaristas políticos da empresa e os seus jornalistas, fazem uma cobertura atacando os manifestantes e buscando colocar a opinião pública contra os que reivindicavam; em seguida, percebendo a ausência de rumo do movimento, a própria Rede Globo passa a convocar a população para os atos e a dizer as pautas que deveriam ser levadas às ruas (como a luta contra a PEC 37, por exemplo, que a maioria das pessoas nem sequer sabiam do que se tratava).

Mesmo assim, Dilma Rousseff e o PT conseguem sua reeleição nas eleições de 2014, muito embora o Congresso Nacional esteja nas mãos dos seus opositores. A eleição de Eduardo Cunha, em 01 de fevereiro de 2015, à presidência da Câmara dos Deputados se torna peça-chave para o golpe que viria a acontecer em 2016. Com escândalos de corrupção a serem apurados na Comissão de Ética daquela Casa, Cunha resolve jogar com a presidenta: ou o PT sepulta as investigações, na Comissão, ou o processo de impeachment contra Dilma seria aberto. O PT não cedeu e o processo foi levado adiante no Congresso Nacional (tudo em nome de Deus e da família, é claro!).

Importante lembrar o papel fundamental do PSDB, de Aécio Neves, nesse caso: Aécio, ainda Senador, ao ser derrotado por Dilma nas eleições de 2014, não aceitou a vitória da adversária; chegou a solicitar recontagem de votos, auditoria sobre as urnas e, até mesmo, a diplomação no lugar de Dilma. E após tudo isso, pagou R$ 45 mil para Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, juntamente com o ex-petista, o senil Hélio Bicudo, a ingressarem com o pedido de impeachment da presidenta, na Câmara.

Não nos esqueçamos da tarefa da Rede Globo aqui: constantes vazamentos de informações, inclusive de ligações telefônicas da presidenta sem autorização do Supremo Tribunal Federal (o que é proibido pela Constituição por prejudicar a defesa e a segurança nacional), em conluio com o então juiz responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, hoje Ministro de Estado do governo Bolsonaro.

Impeachment concluído, em 31 de agosto de 2016, parecia que o golpe havia se consumado. No entanto, com as constantes quedas na popularidade de Temer e nenhum opositor conseguindo superar a popularidade Lula, que decidira por fazer uma caravana pelo Brasil, só havia uma coisa a fazer: parar Lula. O ex-presidente precisava ser preso, mesmo que sem provas e sem crime, afinal, no imaginário de grande parte da população Lula já era criminoso (afinal foi essa a história que a imprensa fez questão de contar desde sempre – lembram do antigo caso do sequestro de Abílio Diniz em 1989? Tudo isso faz parte da construção da imagem criminosa do maior líder popular da América Latina).

Com Lula preso e fora da disputa, Jair Bolsonaro conseguiu ser eleito Presidente da República em 2018, numa eleição em que nenhum debate sério, com propostas sérias para o Brasil, aconteceu.

As elites do Brasil não dariam golpe em 2016 para deixar Lula e o PT voltarem ao poder em 2018 (nem mesmo em 2022). Para isso, precisavam abrir caminho para que algum candidato que conseguisse transitar entre os setores mais reacionários da nossa sociedade alcançasse a vitória eleitoral. A escolha foi certeira: Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro não era nada além de um deputado federal tosco, sem projeto, sem proposta para o país, com ligações excusas com milicianos. A elite econômica e a elite do exército brasileiro sempre souberam disso. Mas Jair e seus filhos eram necessários. Agora, não mais.

A todo momento surgem novas denúncias contra a família Bolsonaro na imprensa. A Rede Globo tem sido a grande porta voz dessas denúncias. Repórteres investigativos estão revirando a vida de um dos filhos do presidente. Ligações com milicianos suspeitos da morte da vereadora do PSOL, Marielle Franco, estão sendo confirmadas. Todos os envolvimentos, de alguma maneira, encontram, no fim da linha, o pai Jair.

A pergunta é: por que a Rede Globo tem feito esse papel de atacar a família que detém sobre isso a força da ética incorruptível, sendo que a própria Globo pavimentou o caminho para a sua vitória eleitoral?

Com certeza não é pela defesa republicana da liberdade de imprensa, valor inexorável da democracia. Também não acredito que seja por certa birra ligada a questões econômicas com o governo. Nem mesmo por disputa de mídia. Hugo Chávez já dizia que a Globo nada mais é do que “a cadela do imperialimo”. Eles sabem como se movimentar. Afinal, Leonel Brizola assinalou bem ao dizer que “a Globo é uma filhote da ditadura”. A sua gênese está ligada ao poder autoritário.

Jair e seus filhos, provavelmente, já são carta fora do baralho, e a Globo sabe disso. Por isso, sua tarefa agora, é destruir o que aqui está para que algo venha. Eu imagino o que seja, mas, por agora, evito de fazer essa premonição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário