Paulo dos Santos[1]
Em
poucos dias, em todo o Brasil, as pessoas novamente vão às urnas, dessa vez
para definir o colegiado do Conselho Tutelar que atuará pelos próximos 4 anos.
O CT é um órgão eleito pela comunidade local, com a função garantir a
efetivação dos direitos de crianças e adolescentes em nossa sociedade. E é
importantíssima a participação das pessoas, mesmo sendo uma eleição
facultativa, pois, como determina o artigo 227 da Constituição Federal de 1988,
“é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, etc.”.
Mas,
para além disso, qual a real importância dessa eleição nesse momento? Há algum
tempo que o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – tem sido atacado por
determinados grupos. Mais do que isso, no último período, o Sistema de Garantia
dos Direitos de Crianças e Adolescentes tem sido destruído. O Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA – tem sido desmantelado pelo
governo federal. A Conferência Nacional, prevista para outubro desse ano,
chegou a ser cancelada por decreto presidencial.
Sendo
assim, o compromisso daquelas e daqueles que há anos se empenham nessa luta, é
pela sobrevivência do Sistema de Garantia dos Direitos. Eleger conselheiras e
conselheiros tutelares dispostos a enfrentar esses ataques, é um dever de todos
aqueles que têm feito de suas vidas um permanente espaço de construção dos
direitos.
[1]
Paulo dos Santos, Cientista Social/UFRGS, ex-presidente do Conselho Municipal
dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) de Sapucaia do Sul.
Texto publicado originalmente no Jornal VS em 18 de setembro de 2019.
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