O golpe de Estado acontecido
no Brasil no ano de 2016 ainda é de complexa compreensão, sobretudo na busca de
analisar o seu processo inicial.
Eu, de pronto, afirmo, não
estou entre aqueles que acredita que o processo embrionário do golpe se deu nas
chamadas “jornadas de julho de 2013”. No entanto, acredito que o desenrolar
daquelas manifestações levou o Brasil para o caminho do qual nos encontramos
hoje. Ou seja, penso, exatamente, que as manifestações daquele período iniciaram
com uma pauta legítima e municipalizada: o preço da tarifa do transporte
público. Em seguida, se tornou uma pauta da esfera estadual: a força repressiva
do aparato estatal. Por fim, alcançou o governo federal: avanço e humanização das
políticas públicas. A presidenta Dilma, ao identificar isso, lançou quatro
medidas que vinham ao encontro do desejo dos manifestantes, entre elas estavam
o lançamento do Programa Mais Médicos e a abertura de uma Constituinte
exclusiva para a Reforma Política. No entanto, o PT não soube se posicionar.
Inicialmente, o então presidente do partido, Rui Falcão, lançou Nota Pública
convocando o partido às ruas para fazer a disputa do movimento. Em seguida, o
partido se retirou desse processo buscando alguma forma de defesa das políticas
até então já implementadas pelos seus governos na esfera federal.

