sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Democracia se faz com participação popular

Certamente, você já ouviu falar que, no Brasil, vivemos uma “falsa democracia” e, para isso, não faltam comparações para exemplificar o quanto estamos “atrasados” no regime democrático, seja em comparação com os Estados Unidos ou com os países europeus.

O que não se leva em consideração, quando se utilizam esses exemplos, são as formações culturais de cada local, principalmente a nossa, que pode ser muito bem entendida com uma leitura rápida do historiador Sérgio Buarque de Holanda, ou do jurista Nestor Duarte, ou da socióloga Maria Isaura Pereira de Queiroz, entre outros. Mas isso é um bom assunto para ser levado adiante em um texto a parte.

Voltemos ao que interessa a este texto. Participação popular!

Tem pessoas que não querem se envolver com assuntos políticos, outras que acreditam que a política é uma arena reservada somente aos políticos profissionais. De acordo com Platão, estes, então, acabarão sendo governados por aqueles que se envolvem e que gostam de participar ativamente das questões políticas e sociais.

Mas, trazendo à reflexão o conceito de política apresentado pelo filósofo político italiano Norberto Bobbio temos a política como “derivado do adjetivo originado de polis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade e, consequentemente o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social.”[1] Ora, partindo desse princípio, podemos compreender que o ato político, que o fazer política, não acontece apenas por dentro das instituições, mas na sociedade.

Por isso a importância da pessoa se reconhecer como um ser político transformador. As disputas políticas muito antes de acontecerem nos plenários das casas legislativas, acontecem na rua onde pessoas moram. Acontecem nas associações de moradores, nos sindicatos, nas igrejas, nas redes sociais da internet, e em tantos outros espaços de participação popular.

E são essas disputas que impulsionam governos e programas partidários.

Isso faz com que o indivíduo tenha, segundo Juan Diaz Bordenave, um dos principais pensadores latinos da Comunicação, uma participação ativa na sociedade. Segundo ele, o indivíduo que tem uma participação ativa “toma parte” dos assuntos sociais, isto é, não apenas “faz parte”, mas ajuda a decidir o rumo político-social da sua comunidade, do seu grupo social.

Como diz o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, “os problemas da democracia são resolvidos com mais democracia.” Isto é, os problemas sociais devem ser resolvidos por meio da participação ampla e democrática de cada cidadão e cidadã na disputa pelo campo popular.

E como já dito acima, são essas disputas que impulsionam governos e programas partidários. Mas, enquanto nos omitimos achando que já fazemos muito votando a cada dois anos, os grandes empresários e banqueiros ainda estão levando a melhor por estarem dia a dia pressionando os governos.



Bibliografia:

BOBBIO, N. Dicionário de Política. Brasília, DF : Ed. UnB. 1998.

Bodernave, J. D. O que é participação. Disponível em: http://iwm.org.br/arquivos/C/Car/CaravanaInstitutoWalmart/653_CaravanaIWMOqueAparticipacaopdf.pdf Acesso em 10 de nov. de 2014





[1] BOBBIO, N. Dicionário de Política. Brasília, DF : Ed. UnB. 1998. p. 954.

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