Certamente, você já ouviu falar que, no
Brasil, vivemos uma “falsa democracia” e, para isso, não faltam comparações
para exemplificar o quanto estamos “atrasados” no regime democrático, seja em
comparação com os Estados Unidos ou com os países europeus.
O que não se leva em consideração, quando se
utilizam esses exemplos, são as formações culturais de cada local,
principalmente a nossa, que pode ser muito bem entendida com uma leitura rápida
do historiador Sérgio Buarque de Holanda, ou do jurista Nestor Duarte, ou da
socióloga Maria Isaura Pereira de Queiroz, entre outros. Mas isso é um bom
assunto para ser levado adiante em um texto a parte.
Voltemos ao que interessa a este texto.
Participação popular!
Tem pessoas que não querem se envolver com
assuntos políticos, outras que acreditam que a política é uma arena reservada
somente aos políticos profissionais. De acordo com Platão, estes, então,
acabarão sendo governados por aqueles que se envolvem e que gostam de
participar ativamente das questões políticas e sociais.
Mas, trazendo à reflexão o conceito de
política apresentado pelo filósofo político italiano Norberto Bobbio temos a política
como “derivado
do adjetivo originado de polis
(politikós), que significa tudo o que se refere à cidade e,
consequentemente o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e
social.”[1]
Ora, partindo desse princípio, podemos compreender que o ato político, que o
fazer política, não acontece apenas por dentro das instituições, mas na
sociedade.
Por isso a importância da pessoa se
reconhecer como um ser político transformador. As disputas políticas muito
antes de acontecerem nos plenários das casas legislativas, acontecem na rua
onde pessoas moram. Acontecem nas associações de moradores, nos sindicatos, nas
igrejas, nas redes sociais da internet, e em tantos outros espaços de
participação popular.
E são essas disputas que impulsionam governos
e programas partidários.
Isso faz com que o indivíduo tenha, segundo
Juan Diaz Bordenave, um dos principais pensadores latinos da Comunicação, uma
participação ativa na sociedade. Segundo ele, o indivíduo que tem uma
participação ativa “toma parte” dos assuntos sociais, isto é, não apenas “faz
parte”, mas ajuda a decidir o rumo político-social da sua comunidade, do seu
grupo social.
Como diz o ex-governador do Rio Grande do
Sul, Olívio Dutra, “os problemas da democracia são resolvidos com mais
democracia.” Isto é, os problemas sociais devem ser resolvidos por meio da participação
ampla e democrática de cada cidadão e cidadã na disputa pelo campo popular.
E como já dito acima, são essas disputas que
impulsionam governos e programas partidários. Mas, enquanto nos omitimos
achando que já fazemos muito votando a cada dois anos, os grandes empresários e
banqueiros ainda estão levando a melhor por estarem dia a dia pressionando os
governos.
Bibliografia:
BOBBIO,
N. Dicionário de Política. Brasília,
DF : Ed. UnB. 1998.
Bodernave, J. D. O
que é participação. Disponível em: http://iwm.org.br/arquivos/C/Car/CaravanaInstitutoWalmart/653_CaravanaIWMOqueAparticipacaopdf.pdf
Acesso em 10 de nov. de 2014
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