segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A importância da Reforma Política no Brasil

Desde o fim da ditadura militar estamos aprendendo a lidar com a democracia no Brasil. Nunca tivemos um período democrático tão longo em terras brasileiras. Talvez isso nos ajude a entender o porquê de muitas pessoas não compreenderem o funcionamento das instituições democráticas e de não terem amplo interesse nos assuntos legislativos e, tampouco, no seu funcionamento.

Temos um sistema eleitoral antigo e que foi manipulado para permitir que interesses privados fossem colocados acima dos interesses nacionais e dos programas e ideologias partidários (muito embora não seja de hoje que, no Brasil, os interesses privados tenham se sobrepostos aos interesses públicos) [1].

Para todos nós, a corrupção é um problema grave e que deve ser combatido. A questão, é que existem formas diferentes de se enxergar este problema. Para alguns, a corrupção é um defeito quase que único e exclusivo da classe política. Já outros, cujo qual nos incluímos, acreditam que o problema da corrupção é algo mais profundo. Sempre vemos notícias de políticos corruptos, mas raras são às vezes (agora até com um pouco mais de frequência) que ouvimos falar sobre os corruptores.

Os que acreditam que a corrupção é um problema para além da classe política tendem a perceber que o sistema político-eleitoral em que estamos inseridos, é um sistema que age de forma coercitiva a fim de privilegiar os donos do capital financeiro.

Como assim?!

O deputado (ou vereador, ou senador, ou prefeito, ou o que for) para ser eleito, precisa fazer uma ampla campanha eleitoral durante três meses. Para tanto, esse indivíduo precisa angariar recursos financeiros – quanto mais dinheiro ele consegue, maior e mais eficaz será a sua campanha. Para fazer uma campanha competitiva, ela, necessariamente, deverá ser cara. Então, para conseguir acessar esses recursos financeiros, o candidato acabará recorrendo a alguns empresários que farão grandes e importantes doações.

Mas, o que faz com que as empreiteiras, os banqueiros, etc., doem ao candidato X mais do que ao candidato Y? Não é porque o candidato X é mais carismático, mais cheiroso, engraçado, ou porque tem belos olhos. Mas sim, a fidelidade que o candidato quando eleito passa a ter com os interesses do doador. E assim, o indivíduo acaba se distanciando dos interesses públicos, para servir aos interesses privados do doador.

Por isso, a necessidade de uma Reforma Política ampla, capaz de garantir mudanças estruturais importantes. Mas não se enganem quem pensa que, por mais que todos estejam utilizando essa expressão nos seus discursos, será algo fácil de conquistar. Afinal, no Congresso Nacional, muitos são os que estão a serviço dos seus doadores, por isso, pela manutenção do status quo.

Em 2013, ainda durante as Jornadas de Junho, a presidenta Dilma fez um discurso ao povo brasileiro se comprometendo com a Reforma Política por meio de uma Assembleia Constituinte exclusiva. O Congresso Nacional, não permitiu! Em 2014, ainda tentando arrumar formas de maior participação popular, a presidenta Dilma assinou o Decreto dos Conselhos Populares. O Congresso Nacional, mesmo com a resistência do PT, PSOL e PCdoB, acabou derrubando o decreto sob a justificativa de “cubanização do país”, “bolivarianismo” e outras coisas do gênero.

Já em 2015, a presidenta, no seu Discurso de Posse, sinaliza que a Reforma Política é uma das prioridades deste governo. 30 dias após, a Câmara dos Deputados elege Eduardo Cunha para presidir a Casa Legislativa (o deputado Eduardo Cunha é contrário à Reforma Política).

Mas por que a Reforma Política é tão importante para o Brasil?

Uma ampla Reforma Política é considerada a mãe de todas as reformas, porque ela irá frear os interesses do capital em relação aos interesses públicos, fruto de toda a corrupção. Ela fará com que a composição das casas legislativas se pareça mais com o desenho da sociedade. Ela tornará mais democrático o acesso aos cargos eletivos. As campanhas serão mais baratas.

Mas também não pense que só a Reforma acabará com toda a corrupção nos órgãos públicos, isso seria muito utópico. Mas uma ampla Reforma Política aliada a modernas formas de controle fecharia o cerco sobre os esquemas de corrupção.

O que o Brasil precisa é de uma ampla e verdadeira Reforma Política capaz de modificar as arcaicas estruturas que privilegiam apenas alguns!



Bibliografia:

Duarte, Nestor. A Ordem privada e a organização política nacional. São Paulo : Companhia Editora Nacional. 1939.

Sul21. Raul Pont: “O sistema partidário está corrompido, principalmente pelo poder econômico”. Disponível em: <http://www.sul21.com.br/jornal/raul-pont-o-sistema-partidario-esta-corrompido-principalmente-pelo-poder-economico/> Acesso em 09 de fev. de 2015.




[1] Duarte, Nestor. A Ordem privada e a organização política nacional. São Paulo : Companhia Editora Nacional. 1939.

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