Não é novidade que, em determinados momentos históricos, alguns setores da Igreja Católica no Brasil procurem criar um ambiente moral ultraconservador, com ataques diretos àqueles que se colocam como progressistas, sejam esses católicos ou não.
Em 1964, alguns movimentos ultraconservadores se reuniram em torno da chamada "Tradição, Família e Propriedade (TFP) - Marcha da Família com Deus pela liberdade". O resultado desastroso desse movimento foi o golpe civil-militar de 01 de abril de 1964 que durou por 21 anos, torturando e matando, nos porões da ditadura, aqueles e aquelas que se colocavam como opositores do governo autoritário.
Dentre os torturados, estavam mulheres (grávidas, inclusive), homens, jovens estudantes... E padres e freiras!
No livro "O Batismo de Sangue", de Frei Betto, ele narra as atrocidades que foram cometidas contra ele, Frei Tito e mais alguns religiosos. As sessões de tortura contra eles fora autorizada, segundo o frade dominicano, pelo Cardeal Dom Eugênio Salles do RJ. Frei Tito, após passar por inúmeras sessões de tortura na "Cadeira do Dragão", teve sua sanidade mental destruída e acabou cometendo suicídio fora do Brasil.
No entanto, naquele período, enquanto os porões da ditadura escondiam os mais violentos ataques a pessoas, as sacristias das igrejas abrigavam aqueles e aquelas que sonhavam com um Brasil democrático e humano. Bispos como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida, Cardel Dom Paulo Evaristo Arns se colocaram publicamente em defesa das pessoas contra as arbitrariedades do autoritarismo.
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| Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns em luta contra os atentados do governo autoritário. Para que não se esqueça! Para que nunca mais aconteça! |
Desses espaços, movimentos civis ganharam força. Partidos políticos se organizaram em busca da redemocratização.
Hoje, movimentos ligados à teologia da prosperidade norteamericana buscam desestabilizar a democracia brasileira em uma forte cruzada moral. Católicos que têm uma visão diferente de sociedade, logo são "acusados" de comunistas e declarados pelos portadores da fé pura como hereges e excomungados. Atacam violentamente os diferentes e escondem seus preconceitos por trás da "sã doutrina católica".
Chega! O fascismo bateu à porta. Nossa missão é denunciar!
A Igreja Católica, no Brasil e na América Latina, sobretudo na segunda metade do século XX, tem uma história voltada à luta pela democracia e pelas liberdades. A Igreja Católica, no Brasil e na América Latina, não é uma igreja fechada nos seus grupelhos, mas uma igreja em saída, na rua, que se coloca ao lado dos discriminados, dos pobres, dos sofredores. A Igreja Católica, no Brasil e na América Latina, tem sangue de mártires como Dom Óscar Romero, que foi assassinado, enquanto celebrava a Missa, pelos capangas dos latifundiários que ele denunciava. Como a Irmã Dorothy Stang, assassinada por lutar ao lado do povo pelo direito à terra e ao meio ambiente. A Igreja Católica, no Brasil e na América Latina, está com Dom Pedro Casaldáliga, que mesmo sendo constantemente ameaçado de morte não abandonou a luta do povo pobre.
Agora vocês tentam reeditar essa cruzada moralista onde sequer vocês se enquadram!
Nós vamos resistir!

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