Paulo
dos Santos[i]
Todo militante do Partido
dos Trabalhadores já ouviu ou já se fez essa pergunta: “por que estar no PT?”.
O que leva alguém a se filiar e, até mesmo, permanecer filiado, filiada, ao
Partido dos Trabalhadores? Tem pessoas que estão no PT desde a sua fundação, tem
pessoas que chegaram por agora. O que ainda nos motiva?
O Partido dos
Trabalhadores foi fundado em 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo. Sua fundação
reuniu desde estudantes, combatentes da ditadura, católicos ligados às
Comunidades Eclesiais de Base, intelectuais, artistas, e, sobretudo,
trabalhadores e trabalhadoras de todas as partes do Brasil.
O objetivo era construir
um partido em que a centralidade política estivesse na luta e na organização
das pessoas que produzem a riqueza nacional. Trabalhadores e trabalhadoras sentariam
à mesa, juntamente de gigantes intelectuais do Brasil, como Florestan
Fernandes, Paulo Freire, Sérgio Buarque de Holanda, para pensar e promover um
projeto político capaz de transformar o Brasil em um país mais justo e igual. O
projeto de democracia pensado pelo PT incluía a democratização das relações. Ou
seja, se queríamos mudar a nossa sociedade, precisávamos ter um partido com
relações democráticas, em que ninguém seria maior ou menor em um horizonte de
construção coletiva.
Ao longo do caminho, o PT
foi se tornando mais do que uma ferramenta de luta, mas também uma ferramenta de
sonhos de milhares de brasileiras e brasileiros. Em cada prefeitura, em cada
governo estadual, tínhamos a missão de modificar estruturas políticas muitas
vezes arcaicas. Todas as vezes que fomos demandados, pela população, a
governar, o fomos em uma conjuntura de medo e desesperança, e que, somente o
nosso projeto, era capaz de trazer de volta às pessoas a esperança e a alegria.
Nossa utopia sempre foi
construir um socialismo radicalmente democrático. Em que todas e todos pudessem
fazer parte da política, não como objeto, mas como sujeito, como bem nos lembra
o sempre firme Olívio Dutra.
No governo federal,
tínhamos uma grande missão: democratizar o Brasil. Somos um país altamente
desigual, que nega, à imensa maioria do seu povo, o direito de cursar o ensino
superior. Que não distribui renda. Que não dá acesso à saúde a milhares de
brasileiras e brasileiros que moram nas periferias. Que não trata a água, por
falta de políticas de saneamento básico. Ou seja, ao chegarmos ao Palácio do
Planalto tínhamos a tarefa de dar o Brasil às brasileiras e aos brasileiros.
Fizemos.
Nossos governos têm erros,
obviamente que sim. Mas, é muito mais exitoso em suas conquistas. Não fizemos
tudo o que deveríamos, nem tudo o que queríamos, mas foram feitas todas as
coisas que podiam ser feitas.
Lançamos o Fome Zero,
Bolsa Família, Luz para todos, PROUNI, PRONATEC, PAC, Ciência sem Fronteiras, etc.
Ampliamos a rede de atendimento em saúde. Fizemos da política de assistência
social um sistema integrado, com políticas tipificadas, fugindo da ideia de
assistência social enquanto caridade e assistencialismo e reafirmando sua
condição de direito. Tornamos os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS)
e os Centros de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), uma
realidade nos nossos municípios. Ampliamos a oferta de vaga em educação
infantil.
Quer dizer, avançamos com
políticas que eram impensadas em governos anteriores aos nossos. Por conta
disso, nossos acertos enraiveceram a elite nacional. As pessoas começaram a
melhorar sua condição econômica e a se atentar à necessidade de conquistar ainda
mais direitos. Não recuar, mesmo que tivessem que ir às ruas para pressionar os
nossos governos.
E que bom que fossem mais!
Nosso partido é formado por pessoas que foram forjadas na luta social e
sindical. Pessoas que sabem bem o valor de mobilizar as massas e pressionar os
governos e/ou os patrões na luta por mais direitos. Nos últimos 20 anos,
aprendemos a governar pela coalizão, no acordo, na conciliação. Talvez, se
tivéssemos promovido mais debates populares, mais organização social e mais
movimento político pelas bases da nossa sociedade, teríamos avançado ainda mais
por onde governamos. Esses são aprendizados que somente a prática pode
proporcionar.
Agora, depois de quatro
anos afastado do governo federal, fora de grande parte dos governos estaduais e
longe de muitas prefeituras, vemos as políticas que construímos serem
desmanteladas. Os direitos, cortados em nome da manutenção de privilégios daqueles
que nunca aceitaram a democratização do Brasil. O povo, atacado e sofrendo.
Por isso, precisamos
voltar a ser fonte de esperança. Precisamos dialogar com as pessoas das nossas
cidades, e fazer com que elas retomem o olhar para um futuro de mais
tranquilidade e felicidade. Fazer com que, cada uma e cada um, volte a
esperançar, como bem dizia nosso mestre Paulo Freire.
Quiçá, seja essa a resposta
da pergunta do primeiro parágrafo desse texto: “por que estar no PT?”. Possivelmente,
o que nos mantem organizados no Partido dos Trabalhadores é a capacidade que
esse partido tem de nos fazer ainda manter viva em nós a chama da utopia.
[i]
Paulo dos Santos é Cientista Social pela UFRGS, mestrando em Ciência Política
pela UFRGS, militante da Democracia Socialista e Secretário de Educação e Formação
Política do PT de Sapucaia do Sul.

Realmente o PT veio para mudar os paradigmas não houve antes do Partidos dos Trabalhadores algum governo que desse chance aos negros, a os pobres e pessoas das periferias
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