O ano passou e chegamos ao seu
final. Com isso, as festas, as confraternizações, os encontros, as análises, os
planejamentos, tudo se encontra, se aproxima.
É um período em que os
sentimentos estão mais aflorados. Os amigos se tornam irmãos, os irmãos se
tornam melhores amigos, os desconhecidos são atingidos por sentimentos de
compaixão, etc.
Os sonhos por uma sociedade
mais humana e fraterna são renovados. As certezas da superação das
desigualdades e preconceitos são reafirmadas. A utopia de um novo mundo toma
conta dos corações esperançosos.
E, aos cristãos (grupo do qual
faço parte), todas essas situações que foram citadas anteriormente, se fundem a
um grande sentido: o nascimento de Jesus de Nazaré.
Jesus que, mesmo tão menino,
fora sinal de esperança a um povo que sofria. O anúncio de seu nascimento,
conforme narrado pelos evangelistas, se deu aos pastores, trabalhadores do
campo, não aos poderosos, aos ricos, aos mestres e sacerdotes.
Jesus que, já durante o seu
ministério, resolveu conviver com os mais pobres e miseráveis, com os doentes,
com as prostitutas e demais excluídos. Jesus que não se furtou em denunciar os
abusos do poder político, religioso e econômico de sua época.
Jesus que enfrentou os
poderosos ao falar sobre a construção de um novo reino onde já não mais existiriam
desigualdades. Reino onde os últimos passariam a ser os primeiros. Reino onde o
amor ao sagrado seria a única lei. Reino onde o sagrado se personificaria no
próximo.
Jesus que não aceitou o
sacrilégio contra o Templo, exatamente porque sabia que o desrespeito ao Templo
era o desrespeito às pessoas e às suas crenças. Jesus que não hierarquizava as
suas relações sociais, permitindo com que cada pessoa que se aproximasse dele
se sentisse único, especial.
Isso é o que me encanta em
Jesus e no cristianismo. A certeza do Emanuel.
No Antigo Testamento, no livro
do Profeta Isaías, o Messias (salvador) é apresentado não como Jesus de Nazaré,
mas como Emanuel. E Emanuel, quer dizer Deus conosco. Ou seja, Jesus, já no
tempo dos profetas, era apresentado como um Deus que ficaria sempre com as
pessoas, sobretudo com as que mais sofrem. Jesus é apresentado como um Deus que
não sentaria em um trono para chefiar, mas que sentiria na pele as mesmas
exclusões e os mesmos ataques que os marginalizados de sua época sentiam,
exatamente para ser o sinal da esperança e da força necessárias para a
construção de um novo mundo.
Assim, na magia do Natal, o
sentimento que fica, àqueles que creem, obviamente, é do renascimento de todas
essas esperanças. As esperanças de que é possível construir um mundo mais
humano, mais justo, fraterno e igualitário, porque tudo isso está incluído na
força renovadora do nascimento de Jesus Cristo.
Um grande abraço a todas as
minhas amigas e a todos os meus amigos. E um ótimo Natal!
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