domingo, 24 de dezembro de 2017

É Natal!

O ano passou e chegamos ao seu final. Com isso, as festas, as confraternizações, os encontros, as análises, os planejamentos, tudo se encontra, se aproxima.

É um período em que os sentimentos estão mais aflorados. Os amigos se tornam irmãos, os irmãos se tornam melhores amigos, os desconhecidos são atingidos por sentimentos de compaixão, etc.


Os sonhos por uma sociedade mais humana e fraterna são renovados. As certezas da superação das desigualdades e preconceitos são reafirmadas. A utopia de um novo mundo toma conta dos corações esperançosos.

E, aos cristãos (grupo do qual faço parte), todas essas situações que foram citadas anteriormente, se fundem a um grande sentido: o nascimento de Jesus de Nazaré.

Jesus que, mesmo tão menino, fora sinal de esperança a um povo que sofria. O anúncio de seu nascimento, conforme narrado pelos evangelistas, se deu aos pastores, trabalhadores do campo, não aos poderosos, aos ricos, aos mestres e sacerdotes.

Jesus que, já durante o seu ministério, resolveu conviver com os mais pobres e miseráveis, com os doentes, com as prostitutas e demais excluídos. Jesus que não se furtou em denunciar os abusos do poder político, religioso e econômico de sua época.

Jesus que enfrentou os poderosos ao falar sobre a construção de um novo reino onde já não mais existiriam desigualdades. Reino onde os últimos passariam a ser os primeiros. Reino onde o amor ao sagrado seria a única lei. Reino onde o sagrado se personificaria no próximo.

Jesus que não aceitou o sacrilégio contra o Templo, exatamente porque sabia que o desrespeito ao Templo era o desrespeito às pessoas e às suas crenças. Jesus que não hierarquizava as suas relações sociais, permitindo com que cada pessoa que se aproximasse dele se sentisse único, especial.

Isso é o que me encanta em Jesus e no cristianismo. A certeza do Emanuel.

No Antigo Testamento, no livro do Profeta Isaías, o Messias (salvador) é apresentado não como Jesus de Nazaré, mas como Emanuel. E Emanuel, quer dizer Deus conosco. Ou seja, Jesus, já no tempo dos profetas, era apresentado como um Deus que ficaria sempre com as pessoas, sobretudo com as que mais sofrem. Jesus é apresentado como um Deus que não sentaria em um trono para chefiar, mas que sentiria na pele as mesmas exclusões e os mesmos ataques que os marginalizados de sua época sentiam, exatamente para ser o sinal da esperança e da força necessárias para a construção de um novo mundo.

Assim, na magia do Natal, o sentimento que fica, àqueles que creem, obviamente, é do renascimento de todas essas esperanças. As esperanças de que é possível construir um mundo mais humano, mais justo, fraterno e igualitário, porque tudo isso está incluído na força renovadora do nascimento de Jesus Cristo.

Um grande abraço a todas as minhas amigas e a todos os meus amigos. E um ótimo Natal!


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