quarta-feira, 19 de julho de 2017

O FUTEBOL E A CULTURA DA CÓLERA

Uma cultura machista, racista, de elite, se apropriou do futebol!

Não daquele futebol que a gente adora que já aprende a jogar desde cedo na rua, de pés descalços. Mas do futebol profissional.

O ambiente profissional do futebol não dá espaço às mulheres (quem nunca ouviu os gritos ofensivos às auxiliares da arbitragem, como a bandeirinha Ana Paula Oliveira?). Quais emissoras de rádio e TV dão espaço, no mínimo, parecido (nem digo igual) a jornalistas mulheres e ao futebol feminino?

E mais, qual o espaço das negras e dos negros que não o de jogadores no futebol? Quantos são os treinadores negros? Quantos são as/os jornalistas negros? Quantos são os dirigentes negros (inclusive no nordeste).

Mais do que isso... Onde estão as mulheres, as negras, os negros, nas federações estaduais e na CBF?

Mais ainda, e aí reafirma o caráter elitista do futebol profissional, quais são os pobres que podem entrar em um estádio de futebol hoje, a menos que seja para fazer a plateia a bater palma? Quais são os pobres que podem se divertir com a sua família nesse ambiente? Os valores dos ingressos cada dia mais caros e os horários que impossibilitam o público de utilizar transporte público, fazem do futebol um produto a ser consumido por gente que tem grana, não pelas comunidades que criam as meninas e os meninos que vão fazer o espetáculo acontecer.

Infelizmente, a cultura capitalista, que de tudo se apropria, se apropriou do futebol. Mas, pelo menos, os campinhos e os asfaltos, cada dia mais escassos, é verdade, ainda são espaços de resistência!

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