domingo, 13 de novembro de 2016

Conselhos Municipais e democracia participativa


Paulo de Oliveira dos Santos[1]

O exercício da gestão pública tem exigido, cada vez mais, dos seus agentes, a necessidade de abertura ao diálogo com a sociedade, sobretudo em governos municipais em que a relação do governante com os eleitores é muito próxima.

O avanço das novas tecnologias é um dos grandes pontos que respondem sobre essa nova forma de interação e de relação. As redes sociais se tornaram grandes aliadas da população que exige melhorias no serviço público por meio de posts, entretanto essa interação descortina uma gama de demandas individuais reprimidas que são capazes de criar um cenário de caos no setor público. Logo, a criação de plataformas digitais em que o governo consiga represar essas demandas e, a partir daí, pensar em políticas públicas que ultrapassem a individualização dos problemas é algo cada vez mais imprescindível.

Nesse sentido, a agência dos conselhos municipais de políticas públicas e de direitos em um processo de cogestão entre sociedade civil e governo tem sido cada vez mais importante.

Os conselhos municipais são espaços de construção e monitoramento de políticas públicas, garantidos pela Constituição Federal de 1988. Seus assentos são destinados a membros do poder público e a representantes da sociedade civil que juntos devem constituir um amplo debate sobre determinada política.

Para tanto, as pessoas que compõem os conselhos devem ter conhecimento sobre a política pública a qual terão de incidir efetivamente. Assim, os conselheiros e as conselheiras dos conselhos de políticas públicas e de direitos devem estar em constante processo de aprendizado e de atualização tanto em relação a sua agência, quanto a política a qual tem de atuar.

Esse não é um processo fácil, pois exige disposição, tempo e cooperação dos conselheiros e conselheiras, bem como dos gestores os quais representam. Disposição para querer ir além do que já conhece; tempo para estar em constante atualização e aprendizado; cooperação entre conselheiro e gestor a fim de se organizar uma agência conjunta que denote o pensamento da instituição representada no conselho.

Esses três fatores fazem parte da agência do conselheiro e da conselheira tanto representante do governo, quanto da sociedade civil, pois, a atuação de ambos os representantes é uma tarefa para além da sua ação funcional. Ou seja, além de o indivíduo trabalhar em determinada secretaria de governo, ou em determinada instituição não governamental, também atua como representante desta em um conselho de políticas públicas ou de direitos. E, também por isso, sua atuação é encarada como relevante à sociedade.

Ora, o fato de auxiliar no processo de construção de política pública, monitorar seu desempenho e fiscalizar os investimentos públicos, sem que isso faça parte da sua atuação funcional e sem ter salário para isso, faz da agência do conselheiro e da conselheira algo de alta relevância para a comunidade em que vive.

Por isso que os governos que valorizam os conselhos instituídos, dão suporte, auxiliam no seu processo de estruturação, aceitam as suas deliberações plenárias, têm bom desempenho avaliativo.

Ora, como dito anteriormente, o exercício da gestão pública tem exigido dos seus agentes cada vez mais diálogo e transparência para com a sociedade – o soberano – que tem se mostrado disposto a participar nas democracias não só eleitoralmente, mas também durante o processo de governança.

Por isso que a atuação dos conselhos municipais é cada vez mais importante no sentido de garantir um diálogo efetivo entre governo e sociedade no processo de construção das políticas, bem como do seu monitoramento e avaliação.

Ademais, é importante que os conselhos, assim como as políticas, atuem de forma transversal. Ou seja, quanto mais as suas pautas puderem ser debatidas de forma ampla entre outros conselhos, mais o seu debate será efetivo no sentido de ir em busca do esgotamento da matéria.

Dessa forma, em Sapucaia do Sul, durante o último seminário de formação, realizado no mês de novembro, para conselheiros e conselheiras, surgiu a proposição de se construir um Fórum de Conselhos Municipais, experiência que já acontece em alguns outros municípios. Esse Fórum teria a função de aglutinar os debates dos conselhos, organizar uma agenda de formação, etc.

Para tanto, ainda durante o seminário, foi formada uma comissão composta por quatro pessoas, dois representantes da sociedade civil e dois governamentais, que terão a tarefa de pensar uma proposta de Fórum a ser apresentada ao governo municipal até o mês de dezembro.

Portanto, uma importante tarefa foi lançada, constituir o Fórum de Conselhos Municipais de Sapucaia do Sul de forma amplamente democrática a fim de se avançar ainda mais no processo de democracia participativa.








[1] Paulo  de Oliveira dos Santos é acadêmico do curso de Ciências Sociais da UFRGS e compõe a Coordenação dos Conselhos Municipais em Sapucaia do Sul.

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